sexta-feira, 18 de novembro de 2016

E onde fica o Oriente Médio nisso tudo?




  Por Ramon Félix Mansur Neto



           Já é sabido pela esquerda que o Oriente Médio é o maior receptor de opressão imperialista partida dos EUA. Desde que os países daquela região conseguiram suas respectivas independências, o posicionamento destes muitas vezes incomoda as potências capitalistas, em destaque para os EUA. Já durante a guerra fria, o governo americano teria financiado Osama Bin Laden e sua guerrilha contra uma invasão soviética, a fim de impedir o avanço comunista, porém, assim que isso não passou a ser mais conveniente, Bin Laden passou a ser visto, pelo mundo todo, como um terrorista (o motivo disso seria o fato de um dos aliados do petróleo americano, o Kuweit, ter sido afetado pela guerrilha). A geopolítica imperialista americana teria derrubado governos de forma covarde e anti-democrática, como o de Saddan Hussein, no Iraque, e o de Muammar Kaddafi, na Líbia. Sempre que o império dos banqueiros se vê afetado por um governante, este governante está fadado ao fracasso, por exemplo, no caso de Kaddafi, difamou-se tanto e lutou-se tanto contra o governo pelo simples fato de ele ter conseguido implantar o chamado Socialismo Verde (ideologia que conecta o Socialismo com o Islamismo, que tem o verde como cor sagrada). Kaddafi transformou a Líbia no país com o maior IDH da África e ampliou o acesso à educação e à saúde, mas o que realmente incomodou a potência imperialista foi o fato de o então presidente ter extinguido a troca monetária ao simples papel (o que prende o país à bolsas de valores e gera crises automáticas). O povo tinha em mãos algo que valia de fato algo, a troca era feita por metais preciosos e pedras preciosas e isso afetava diretamente na intervenção dos banqueiros do exterior na Líbia.
         Não muito distante da Líbia, na Síria, o presidente Bashar al-Assad tomou medidas parecidas. Com o poder em suas mãos e do Partido Baath, partido este que prega "Socialismo, união e liberdade", por uma nação árabe única (pan-arabismo) e socialista, que incomodavam o "império", como por exemplo, a de expulsar todos os bancos de capital estrangeiro, como os de posse das grandes famílias Rockefeller e Rothschild (que poucos sabem quais bancos os pertencem, mas todos sabem que são muitos). Não deu outra! Em pouco tempo, os EUA já mandava soldados para a Síria, com a justificativa de que o governo da Síria era ditatorial (como se o da Arábia Saudita, por exemplo, não fosse!). Com a posição de proteção de Vladimir Putin, presidente da Rússia, à Sìria, houve um recuar dos EUA (realmente estávamos à beira de uma guerra mundial), porém, coincidentemente ou não (eu voto no "não"), surge o ISIS (Islamic State in Iraq and Syria - Estado Islâmico no Iraque e na Síria), ou EI, que combate o governo de Bashar al-Assad. A hipocrisia estadunidense é tanta que eles foram à Síria e ao Iraque "combater o fundamentalismo" sob o slogan "In God we trust" - "Em Deus nós confiamos" (quem está sendo fundamentalista aqui?). A hipocrisia é tão escancarada que a CIA enviou armas ao ISIS três vezes "POR ENGANO". Então quer dizer que o maior serviço de INTELIGÊNCIA do mundo foi BURRO o suficiente para enviar armas três vezes ao inimigo? Ou seria este só mais um motivo para manter a guerra e desestabilizar e derrubar o governo Assad?
         Enquanto o presidente democrata Barack Obama recebia o prêmio Nobel da paz por tirar soldados do Iraque (colocados pelo republicado George W. Bush), havia soldados despejando sangue inocente na Síria e no Afeganistão. E é aí que entramos na questão: qual é a diferença entre os republicanos e democratas? Tirar de um lugar e passar para o outro e manter o genocídio do povo árabe é política democrata? É política republicana? Os EUA, "terra da liberdade", se mostrou o país que mais persegue a mesma, uma vez que um governo qualquer é derrubado por não aceitar as garras do imperialismo.
         Nestas eleições uma coisa ficou clara: tanto Hillary Clinton (Dem), quanto Donald Trump (Rep), não estavam dispostos a recuar na ofensiva contra o povo árabe. Hillary manteria o legado genocida do Nobel da Paz Barack Obama e Trump manteria o legado genocida de George W. Bush. E onde fica o Oriente Médio nisso tudo? Até quando o povo árabe paga pela falta de democracia no "país da democracia"?
         Uma coisa é certa: tempos obscuros estão por vir. E o povo americano vai engolir Trump (mesmo que a maioria tenha votado em Hillary).

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